ora-pro-nobis
"peréskia aculeata miller"
A
Ora-pro-nobis.
Graziela
Reis
O ora-pro-nobis já foi considerado apenas uma moita espinhenta,
boa para cercas. Mas ganhou fama e nobreza. Suas folhas e flores
são comestíveis e vêm sendo utilizadas com
maior freqüência na culinária mineira.
O sucesso é comprovado. Tanto que o ora-pro-nobis começa
a ser cultivado para fins comerciais com boa dose de lucratividade.
Na região de Sabará, a 25 quilômetros de Belo
Horizonte, no distrito de Pompeu, o ora-pro-nobis está
ganhando espaço e garantindo renda para produtores de hortaliças.
José dos Santos Pinto, proprietário do Alambique
JP, acredita na cultura e passou a desenvolvê-la de maneira
mais efetiva. Ele conhece a planta, das cercas dos vizinhos, desde
criança. Mas só recentemente ampliou sua produção,
que começou com um único pé, para consumo
próprio. Hoje, já tem 150 metros de ora-pro-nobis
plantados em cercas.
Para José dos Santos, a planta complementa a renda gerada
pelas hortaliças, pela cachaça que produz e pelo
restaurante que abre nos fins de semana e também oferece
o ora-pro-nobis como um dos pratos principais.
Na
feira, em Sabará tudo que eu levo vende, diz. Um
pacote de 200gramas da planta, já picada em tiras mais
grossas que couve, sai por R$ 0,80. Um quilo custa R$ 4.
A pequena produtora Maria Torres da Fonseca prefere vender o ora-pro-nobis
apenas nos pratos que oferece no restaurante Moinho DÁgua,
também em Pompeu. O negócio cresceu a partir das
receitas feitas com a planta, como a de marreco com ora-pro-nobis,
que foi ganhando do primeiro concurso relacionado com a espécie
promovido em Sabará. Tudo o que planto coloco no
restaurante. A procura é tanta que não dá
para vender de outro jeito, conta Maria, que já tem
200 arbustos cercando sua propriedade.
Tendo em vista a rusticidade do ora-pro-nobis, que não
tem frescura e nasce em qualquer lugar ocioso, a lucratividade
é interessante. O maior custo envolvido no processo é
o de mão-de-obra para colher e picar as folhas. Segundo
José dos Santos, que produz entre 16-e 25 quilos por semana,
a planta só precisa de adubo orgânico e água
para crescer e atingir um bom porte em três anos. A melhor
época para a colheita é no período chuvoso,
mais especificamente em abril. No inverno a planta fica
meio parada, explica.
O apicultor Nikolaos Argyrios Mitsiotis, pesquisador do ora-pro-nobis,
acredita que o vegetal, de alto valor econômico e
ecológico (o grifo é do melissotróficas),
vai ser rapidamente difundido por todo o Brasil e países
da América do Sul. Isso porque nasce bem em todos as regiões
e é extremamente nutritivo.
O
QUE É
O ora-pro-nobis (pereskia aculeata Miller), do latim orai
por nós, é uma planta cactácea que
nasce em formato de moita. Dizem que seu nome foi criado por pessoas
que colhiam a planta no quintal de um padre, enquanto ele rezava
o seu ora-pro-nobis.
Veja
também aqui a entrevista completa dada a Graziela Reis
>>>
SERVIÇO
.Pesquisador Nikolaos Mitsiotis: nikeeper@ig.com.br
Alambique
JP: (31) 3671-6103
Moinho DÁgua: (31) 3671-6150
Fonte:
ESTADO DE MINAS-SEGUNDA-FEIRA, 28 DE JULHO DE 2003.
Caderno AGROPECUÁRIO; PÁGINA 12