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E
foi assim que numa noite de abril as abelhas começaram sua
longa viagem rumo à ilha: sessenta núcleos de fecundação
e cinco colméias com 5000 zangões sairam à
meia-noite do Embú, São Paulo, transportados em um
caminhão e seguidos em automóveis por um grupo de
associados da APACAME. Em São Sebastião, as abelhas
foram conduzidas para um barco da Marinha, que fez a viagem em três
horas - com cobertura exclusiva da reportagem de VISÃO. Não
foi fácil. Do barco, as caixas tiveram que ser passadas para
uma canoa. E depois transportadas, morro acima, até o local
preparado. Mas afinal, como é esta ilha escolhida para criadeiro
de abelhas? A ilha da Vitória dista 32 km de Ubatuba e fica
11 km da ponta mais próxima da ilha de Búzios, que
por sua vez dista 7 km da ilha de São Sebastião. Não
haverá, portanto, nenhuma possibilidade de zangões
africanos voarem até lá para fecundar as rainhas européias.
O criadeiro só não dará certo se for sabotado,
uma vez que as abelhas são capazes de voar apenas 10 km.
Ali
vivem aproximadamente sessenta caiçaras que se ocupam da
pesca, cultivam mandioca, milho e citros. Alguns fazem peças
de artezanato. Com a instalação da APACAME na ilha,
eles poderão contar com mais um pequeno mercado de trabalho.
A maioria - homens e mulheres - é constituída de pessoas
idosas. Quase não vão ao continente. Durante a instalação
do criadeiro eles ajudaram muito, demonstrando prazer com isso.
De certa maneira, a chegada das colmeias coloridas (pintadas nas
cores azul e amarela, para facilitar que as abelhas encontrem sua
casa) significou a quebras de uma rotina bastante monótona.
Depois
dessa primeira viagem de instalação, a APACAME já
fez outras: quase cem núcleos de abelhas foram instalados.
Até o fim deste mês todos os núcleos já
terão retornado, concluindo a primeira etapa do projeto de
criação de rainhas pura européias, com fecundação
controlada e natural. Como esta operação só
pode ser realizada nas épocas quentes, a segunda etapa só
será executada em setembro ou outubro próximos.
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